"Ela focou o seu olhar naquele ponto ínfimo da camisa dele. Um ponto pequeno, preto, insignificante em contraste com a camisola vermelha que ele usava. Deixou a vista nublar com as lágrimas, pestanejando de seguida para elas desaparecerem. O peito dele mexia-se – ainda falava – mas ela não queria ouvir: depois das primeiras palavras era já tudo um aglomerado de sons que ela recusava-se a aceitar. Só não virava as costas e fugia, pois sabia que assim que o fizesse seria o fim…o derradeiro fim de tudo, do “nós” que ela tanto adorava!
As lágrimas caíram, suavemente, deixando um rasto de calor pela sua cara, até caírem, levemente na sua sapatilha.
As lágrimas caíram, suavemente, deixando um rasto de calor pela sua cara, até caírem, levemente na sua sapatilha.
De repente, aquele ponto no qual ela focara o olhar deixou de ser um ponto: aquele ponto transformou-se nas memórias felizes, nos sorrisos, nos olhares, nas mãos enlaçadas, nas palavras trocadas… e no final, transformou-se no que era: num minúsculo ponto negro em contraste com a imensidão vermelha; quase como se aquele ponto – aquele ínfimo ponto, aquele insignificante ponto, aquele miserável ponto – fosse o amor dele, em comparação ao vermelho, à imensidão vermelha da camisola dele – o amor que nutria por ele. O seu peito já não mexia. Levantou a cara para o seu olhar expectante. De repente as palavras dele, as primeiras – as únicas que tinha ouvido – furaram-lhe o coração mais uma vez. Virou-se e correu – não lhe interessava que fosse o fim - fugiu. As palavras dele ecoaram mais uma vez pelo vazio que sentia dentro de si:
“Já não te amo”
1 comentário:
vou ser uma das sortudas que vai ter uma dedicatória especial logo na primeira página. ^^
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