19 de Fev de 2008

.É este o som do final.

Passo uma borracha, daquelas que nem sequer deixam marca, pelo graffitis que deixaste ao longo "disto".

É estranho reparar que, o que antes considerava obra de arte, esses desenhos coloridos no muro da minha memória, considero, agora, vandalismo.

Tu, com essas latas de tinta velha, usada, imitada, que eu, na ilusão da minha mente, vi como actos de carinho, metem-me agora nojo. Nojo e repulsa!

Não, não vai passar. Não, não vais mudar, e muito menos eu mudarei. Portanto continuemos assim: tu, com esses rabiscos tirados directamente do livro de alguém, e eu, com a minha borracha em riste, pronta a atacar (oops, a apagar) qualquer vestigo teu!

.Medo do Escuro.

Olho para os números, luminosos e vermelhos, que flutuam por cima da minha mesa-de-cabeceira. É tarde. Cerro os olhos com toda a minha força, até ver bolas de todas as cores a pavonearem-se à minha frente, tentando chamar o sono, mas o João Pestana teima em não vir.

A casa, inundada num silêncio ensurcedor, aumenta o volume de todo o mais pequeno ruído, fazendo-o ecoar na minha cabeça, até atingir propoções esmagadoras.

Abro os olhos, devagar, só para ter a certeza que ainda estou no meu lugar, perto dos números flutuantes do meu despertador:2.30. Sim, ainda aqui estou (uff, nenhum monstro da noite me levou).

Os meus olhos, já habituados à escuridão, tentam, certamente por brincadeira, assustar-me de morte, fazendo-me crer que há uma sombra que se aproxima; que pequenas criaturas sanguinárias saltam d lado de fora da janela... Hei, aquela boneca não se mexeu entretanto?!

Saio da cama num salto e corro para o interruptor. A luz enche o quarto e de repente todo o meu medo perde o sentido. Salto novamente para a cama. Enrolo-me nos meus lençois com cheiro a lavado, fecho os olhos e adormeço.





(Sim, tenho 17 anos e ainda tenho medo do escuro... E depois?!)

14 de Fev de 2008

São Valentim

"O Amor não faz o Mundo girar. O Amor é o que faz a viagem valer a pena"

Franklin P. Jones



"Vou ter poesia na minha vida. E amor. Amor acima de tudo. Não aquelas paixões teatrais nem os jogos poéticos, mas um amor daqueles que é maior que a própria vida. Incomensurável, caótico - como se me dessem um tiro no coração e nada me pudesse salvar. um amor como nunca nenhuma peça de teatro mostrou"

Viola de Lesseps, "shakeaspere in love"



"Amar é sofrer. Para evitar sofrimento, não se pode amar. Mas, depois sofre por não amar. Então, se amar é sofrer, não amar também é sofrer. Sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Então ser feliz é sofrer. Mas sofrer causa infelicidade. Então, para se ser infeliz tem que se amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de muita felicidade. Espero que estejas a anotar isto"

Woody Allen



"O Amor? Acredito no Amor acima de tudo. O Amor é como o oxigénio. É esplenderoso, eleva-nos até onde queremos. Tudo o que precisamos é de Amor"

Christian, "Moulin Rouge"







P.S. - Não gosto do dia de São Valentim..







11 de Jan de 2008

Teias do coração

Percorro descalça este caminho
E ando sem pisar o chão
Flutuo nas linhas ténues - linho
Das teias do teu coração

E ando sem cansar
E ando…
e ando sem pensar
a teu mando….


Chego onde tu me chamas
Parto para chegar a ti
Pois as chamas que inflamas
São de amor por mim.


Mas tudo se desvanece à mais leve brisa...


E vão agora nos ventos
Todas as esperanças guardadas
E já não são mais que alentos
As memórias tão amadas

E o assobio que se ouve
Que não se confunde
É para mim o cantar
Dum amor que nunca houve

13 de Dez de 2007

Depois do final feliz....


"Ela focou o seu olhar naquele ponto ínfimo da camisa dele. Um ponto pequeno, preto, insignificante em contraste com a camisola vermelha que ele usava. Deixou a vista nublar com as lágrimas, pestanejando de seguida para elas desaparecerem. O peito dele mexia-se – ainda falava – mas ela não queria ouvir: depois das primeiras palavras era já tudo um aglomerado de sons que ela recusava-se a aceitar. Só não virava as costas e fugia, pois sabia que assim que o fizesse seria o fim…o derradeiro fim de tudo, do “nós” que ela tanto adorava!
As lágrimas caíram, suavemente, deixando um rasto de calor pela sua cara, até caírem, levemente na sua sapatilha.


De repente, aquele ponto no qual ela focara o olhar deixou de ser um ponto: aquele ponto transformou-se nas memórias felizes, nos sorrisos, nos olhares, nas mãos enlaçadas, nas palavras trocadas… e no final, transformou-se no que era: num minúsculo ponto negro em contraste com a imensidão vermelha; quase como se aquele ponto – aquele ínfimo ponto, aquele insignificante ponto, aquele miserável ponto – fosse o amor dele, em comparação ao vermelho, à imensidão vermelha da camisola dele – o amor que nutria por ele. O seu peito já não mexia. Levantou a cara para o seu olhar expectante. De repente as palavras dele, as primeiras – as únicas que tinha ouvido – furaram-lhe o coração mais uma vez. Virou-se e correu – não lhe interessava que fosse o fim - fugiu. As palavras dele ecoaram mais uma vez pelo vazio que sentia dentro de si:
“Já não te amo”

2 de Dez de 2007

A chuva cai, mesmo com um céu azul!


Chove, chove tanto!

Uma parada de guarda-chuvas coloridos dançam à minha volta - mas a chuva cai, molhando-me a cara e o cabelo, e ensopando-me as roupas, enregelando-me completamente.
Corro por esta rua tão cheia; tão atolada de corpos humanos; "cadáveres adiados que procriam" - todos olham para baixo, para as pedras imundas da calçada; não levantam a cara com os olhos pregados só e apenas ao seu próprio caminho.

Sento-me no chão, por debaixo dum velho toldo dum café abandonado e vejo a vida à minha volta a circular.

A chuva já não cai - é passado - e o sol brilha no céu, com um esplendor que retira qualquer vestigio de chuva da paisagem. Olho por entre a azáfama destas pernas apressadas. O sol já brilha, mas ainda ninguém fechou os guarda-chuvas - com os olhos presos ao chão quem consegue ver o sol a brilhar?!
Ao longe um menino sorri, com o seu guarda-chuva fechado no passeio! Ele sorri (um sorriso desdentado) e olha feliz para o sol. Invejo-o... mas alegro-me. Entretanho-me a olhar para ele e a ouvir o suave tic-tac do relógio, sentada debaixo do toldo velho do café abandonado.

Entretanto um guarda-chuva, velho, roto, preto, cai ao meu lado, como por magia.
Abro-o, levanto-me, e junto-me à correria daqueles corpos.
O sol brilha... Mas há-de chover - e eu levo o meu guarda-chuva a proteger-me da dor, e os meus olhos presos ao chão para me esconder da possibilidade de sonhar com novos horizontes