02/12/2007

A chuva cai, mesmo com um céu azul!


Chove, chove tanto!

Uma parada de guarda-chuvas coloridos dançam à minha volta - mas a chuva cai, molhando-me a cara e o cabelo, e ensopando-me as roupas, enregelando-me completamente.
Corro por esta rua tão cheia; tão atolada de corpos humanos; "cadáveres adiados que procriam" - todos olham para baixo, para as pedras imundas da calçada; não levantam a cara com os olhos pregados só e apenas ao seu próprio caminho.

Sento-me no chão, por debaixo dum velho toldo dum café abandonado e vejo a vida à minha volta a circular.

A chuva já não cai - é passado - e o sol brilha no céu, com um esplendor que retira qualquer vestigio de chuva da paisagem. Olho por entre a azáfama destas pernas apressadas. O sol já brilha, mas ainda ninguém fechou os guarda-chuvas - com os olhos presos ao chão quem consegue ver o sol a brilhar?!
Ao longe um menino sorri, com o seu guarda-chuva fechado no passeio! Ele sorri (um sorriso desdentado) e olha feliz para o sol. Invejo-o... mas alegro-me. Entretanho-me a olhar para ele e a ouvir o suave tic-tac do relógio, sentada debaixo do toldo velho do café abandonado.

Entretanto um guarda-chuva, velho, roto, preto, cai ao meu lado, como por magia.
Abro-o, levanto-me, e junto-me à correria daqueles corpos.
O sol brilha... Mas há-de chover - e eu levo o meu guarda-chuva a proteger-me da dor, e os meus olhos presos ao chão para me esconder da possibilidade de sonhar com novos horizontes

1 comentário:

Joana disse...

"com os olhos presos ao chão quem consegue ver o sol a brilhar?!" lembra-te disto quando sentires a chuva forte a ensupar-te o cabelo e a roupa, quando ela te entrar pelos olhos e não te deixar ver mais do que imagens desfocadas e quando o frio te tentar convencer de que o sol se foi embora.